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Meio Ambiente
Bioma Cerrado, conhecimentos tradicionais e diálogos interepistêmicos

Área Principal: Meio ambiente

Coordenação: SILVIA MARIA FERREIRA GUIMARAES

 

Resumo: Este projeto de extensão visa estabelecer diálogos interepistêmicos entre guardiões e guardiãs dos saberes ancestrais, que lidam com o bioma Cerrado, e discentes e docentes do curso de pós-graduação e graduação em Antropologia (PPGAS/DAN) e do Mestrado em Sustentabilidade junto a Povos e Territórios Tradicionais (MESPT). O bioma Cerrado é vivido intensamente por comunidades indígenas, quilombolas e de periferias urbanas como um território de cuidado, de pertencimento e guarda de memória de coletivos que manejam o bioma tendo como referência o cuidado. Nesse sentido, este projeto visa potencializar conhecimentos tradicionais que permitem o manejo deste bioma, o qual se encontra ameaçado diante de planos governamentais e econômicos que ignoram a potencialidade desse. O processo de extinção vivido pelo Cerrado também é uma prática epistemicida dos conhecimentos tradicionais de povos e comunidades cerratenses. Esses conhecimentos se fizeram na interação com o conjunto de seres vivos, minerais, águas, humanos e mais que humanos que o habitam. Guardiãs e Guardiões de saberes ancestrais como raizeiras, benzedeiras, parteiras, rezadeiras, veterinários tradicionais, botânicos tradicionais e outras/os cuidadoras/es, que atuam em comunidades do bioma Cerrado, estão vendo plantas, animais, águas se esvaírem conjuntamente com todo o conhecimento que dominam sobre o bioma assim como suas técnicas e práticas tradicionais que se relacionam com a vida no bioma. Essas/es mestras/es são figuras centrais no cuidado com a vida plena do Cerrado e das pessoas, de onde retiram medicamentos, alimentos e inspiração para a vida. Enfatizar a centralidade dessas/es cuidadoras/res da vida de pessoas e do Cerrado é reconhecer sua presença atuante na conservação do bioma e, ao mesmo tempo complementando, em ações dos serviços de saúde, de educação e ambiental. Também são pensadoras/es, filósofas/os, influentes que dinamizam epistemes que conectam conhecimentos sobre o Cerrado e sobre o cuidado com as pessoas. Em várias pesquisas que realizamos no DF e região do entorno (ver bibliografia ao final), compreendemos a importância especialmente de terapeutas tradicionais como detentoras/es de saberes tradicionais, como produtoras/es de conhecimento sobre o Cerrado, como lideranças que articulam a rede dos serviços de saúde e educacional no nível local, como tradutores das políticas de saúde e educação para as comunidades e como protagonistas no atendimento integral e eficaz, promovendo a saúde e educação da população. Essas guardiãs e guardiões criam processos formativos, de transmissão de conhecimentos ancestrais que divulgam epistemologias, formam crianças e jovens de forma inovadora e potente relacionando o vivido com a criação de um pensamento cuidadoso sobre o bioma e a vida em suas diversas dimensões. Por isso, o “cuidado” é palavra/prática central dessas/es que atuam na construção de relações sustentáveis e prósperas, não apenas de sobrevivência ou instrumentais, mas também na construção de projetos de vida, de formas de pensar, de ser e estar no mundo, de se posicionar em projetos de Bem Viver ancoradas em epistemologias que englobam discussões sobre vida e o viver com justiça e dignidade. Dominam uma epistemologia sobre as matas, águas, animais e minerais do Cerrado e projetos de bem viver. Dinamizam saberes localizados que apresentam uma perspectiva de atuação nas escolas, nos serviços de saúde e ambientais. Este projeto está relacionado com o projeto de extensão que a Coordenadora mantém no DEX/UnB há 3 anos, o qual se vincula com a política pública de patrimonialização do Ofício de Raizeiras e Raizeiros do Cerrado por meio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional/Iphan/Minc (ver em anexo Acordo de Cooperação Técnica entre UnB e IEB). Diante dessa ação, mantemos vínculos com diversas lideranças comunitárias da Vila de São Jorge, vinculada à Associação de Moradores de São Jorge (ASJOR), com raizeiras e raizeiros da Associação do Quilombo Kalunga (AQK), com Dona Cecília, raizeira da Associação do Quilombo São Domingos, com Dona Neide e Seu Ilton da rede de Raizeiros de Pirenópolis, com Lucely Pio e Tantinha, raizeiras da Articulação Pacari, com Dona Feliz, raizeira de Natividade, com Cleonice Pankararu, raizeira de comunidade indígena Pankararu no norte de MG, dentre outras. Por meio do presente projeto, pretendemos ampliar nossa atuação e vínculos com políticas educacionais, da saúde e ambientais, pois essas são áreas de atuação dos mestres e mestras dos saberes ancestrais que manejam o Cerrado em sua dimensão do cuidado. Além da política cultural de patrimônio, que visa a documentação e salvaguarda de conhecimentos tradicionais relativo ao bioma Cerrado, de grupos formadores da sociedade brasileira, que contam a história do Brasil em sua diversidade e que foram por muito tempo silenciados, este projeto de extensão se refere às políticas ambientais e territoriais, pois discute a importância de ter o bioma Cerrado preservado e revela tecnologias produzidas por povos e comunidades tradicionais que atuam de forma sustentável no bioma. Nesse sentido, o Cerrado deve ser visto como território tradicional de muitas comunidades. Também se relaciona com políticas educacionais e processos formativos tradicionais, os quais não podem ser ignorados pelo sistema educacional formal, e políticas de saúde, pois muitos desses guardiões e guardiãs de saberes ancestrais promovem a saúde, previnem adoecimentos cuidam das pessoas nas comunidades, de animais e plantas como preconizado nas políticas públicas de saúde. Por conseguinte, as ações deste projeto devem contribuir para o desenvolvimento sustentável, a cidadania e a melhoria da qualidade de vida dos povos cerratenses. Este projeto de extensão visa discutir em disciplinas da graduação e pós-graduação do PPGAS/DAN e MESPT a potencialidade epistêmica dos conhecimentos tradicionais na conservação da vida no bioma Cerrado, também visa interagir com as comunidades quilombolas, indígenas e de áreas rurais e periurbanas da região da Chapada dos Veadeiros (GO), Pirenópolis (GO), cidade de Goiás (GO), Mineiros (GO), municípios do norte de Minas Gerais, Natividade (TO) e região do Bico do Papagaio (TO), comunidades indígenas de MS Em todas essas localidades, os docentes e discentes do PPGAS/DAN e MESPT, encontram-se presente com pesquisas e ações de extensão. A proposta é que possamos, em diálogo com as comunidades, expandir e fortalecer esses vínculos, buscando justiça social para essas pessoas e o bioma, abrindo outras frentes de extensão e pesquisa assim como nos planos de docência dos cursos da UnB, trazendo a discussão sobre os conhecimentos tradicionais que potencializam o bioma Cerrado. Por conseguinte, este projeto pretende envolver discentes e docentes em ações de extensão diversas que estão sendo pensadas por essas comunidades, visando apoiá-las em: ações de documentação de práticas tradicionais e festejos; ações que potencializem o turismo; ações de transmissão de conhecimento tradicionais e seus processos formativos; em ações de construção de projetos pedagógicos nas escolas que incluam o encontro de saberes; ações de fortalecimento da gestão e proteção territorial. A interdisciplinariedade está marcada na interação da Antropologia com a Mestrado em Sustentabilidade junto a Povos e Território Tradicionais, que é um curso interdisciplinar com perfis de docentes de diversas áreas de conhecimento (história, educação, nutrição, ambiental).

Palavras-chave: conhecimentos tradicionais, Cerrado, diálogos interepistêmicos

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